Do Pároco

«Não pudeste vigiar uma hora?» (Mc 14, 37)

A pergunta que Jesus dirigiu a S. Pedro na noite de Quinta-feira Santa, veio-me à cabeça na última Hora Santa. Devo confessar, com agradecimento, que a introdução da Hora Santa na paróquia foi um fruto indireto da pandemia. Em 2020, não foi possível a procissão do Corpo de Deus devido às medidas de prevenção. Em alternativa, organizámos uma Hora Santa para poder estar com o Senhor. Houve uma grande participação. A partir daí, optámos por repetir esse momento cada mês, procurando, em cada encontro de adoração, modos complementares de falar com Jesus.
O número de participantes foi variando. Entre 30 a 60 pessoas. Mesmo que só estivéssemos dois ou três seria suficiente para valer a pena. Jesus merece a nossa adoração e Ele próprio prometeu que bastariam dois ou três reunidos em seu Nome para Ele próprio estar presente. Na adoração eucarística, contamos sobretudo com a sua presença no Sacramento. Por isso, ela é sempre eficaz: para consolar o Senhor, e para derramar graças sobre cada um, sobre a paróquia e o mundo. Em março, pedimos pela paz.

Claro que sair de casa, numa sexta-feira às 21h30, depois de uma exigente semana de trabalho e de azáfama familiar onde tudo convida a descansar um pouco, pode custar. Não falo das situações onde não é mesmo possível nem aconselhável fazê-lo: crianças muito pequenas, alguém doente que necessita de atenção, etc. Excetuando esses casos, será que aqueles que nunca vieram à Hora Santa conseguem vislumbrar sequer o bem de que estão a ser privados? Peço a Deus que a tradicional adoração na noite de Quinta-feira Santa, quando a Igreja procura recuperar a «hora perdida» de oração (pelos Apóstolos), cure as nossas faltas de fé e estimule o desejo de amarmos mais Jesus.
E assim, na seguinte Hora Santa, quando surgir a dúvida sobre vir ou não a esse momento de adoração, a essa escola em que vamos aprendendo a estar sossegadamente com Jesus, pelo menos procuremos responder «sim» ou «não» à pergunta do Senhor: Não podes vigiar uma hora? Não consegues organizar a vida para estares comigo uma hora adicional em cada mês?

O Papa Francisco escreveu: «Se verdadeiramente reconhecemos que Deus existe, não podemos deixar de O adorar, por vezes num silêncio cheio de enlevo, ou de Lhe cantar em festivo louvor.» (Exort. Gaudete et exultate, n.º 155).
Há muitos modos de o fazer. Um deles é a Hora Santa. Não valerá a pena experimentar esse encontro durante alguns meses e deixar que o próprio Jesus nos «explique» a sua eficácia?

Pe. João Paulo Pimentel

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