Do Pároco

O tema do último capítulo da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família trata da espiritualidade conjugal e familiar. Tendo em conta que durante este ano a Igreja foi convidada a meditar de novo nos ensinamentos expostos nesse documento, convido agora os casais a prestarem atenção a este breve capítulo. Transcrevo três ideias do Papa.
«Por isso, aqueles que têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito, mas é um percurso de que o Senhor Se serve para os levar às alturas da união mística» (n.º 316).

Ou seja, seria um grave erro que algum dos cônjuges pensasse que só tem duas alternativas no caminho para Deus: ou conformar-se com a situação espiritual em que se encontra, convencido de que não há muito a fazer tendo em conta os contínuos imprevistos familiares; ou então, que para cultivar o firme desejo de uma vida espiritual mais sólida, uma maior proximidade de Deus, seria conveniente distanciar-se um pouco da família.

A partir do momento em que estão casados, Deus quer que o encontro com Ele passe pelo amor conjugal e familiar e dele parta. E não se trata de o fazer numa família idealizada, «sem problemas»: a intimidade com o Senhor pode e deve crescer a partir da vida familiar concreta, com as suas dores, problemas e alegrias.

«Se a família consegue concentrar-se em Cristo, Ele unifica e ilumina toda a vida familiar» (n.º 317). A seguir, o Papa propõe que a família releia, em oração, os seus momentos de dor ou tristeza à luz da Paixão e Morte do Senhor, e os momentos de alegria e descanso à luz da sua Ressurreição. Em resumo: tudo na família deve ser referido a Jesus, que faz parte da família. Convido as famílias a programarem as férias contando com Ele. Uma expressão concreta desse desejo consistirá em descansarem em locais onde seja possível a participação na Eucaristia dominical.

Se a decisão de envelhecerem juntos reflete a fidelidade de Deus e se é verdade que «cada cônjuge é para o outro sinal e instrumento da proximidade do Senhor, que não nos deixa sozinhos» (n.º 319), ambos devem descobrir que «o outro não é seu, mas tem um proprietário muito mais importante, o seu único Senhor» (n.º 320). Em consequência, existe um «espaço exclusivo, que cada um dos cônjuges reserva para a sua relação pessoal com Deus» (ibidem). Por outras palavras, cada cônjuge deve aprender a respeitar, admirar e aprender da ação de Deus na alma do outro.

Quantas consequências de aqui se derivam! Por exemplo, profundo respeito pela consciência do cônjuge, alegria em escutar as descobertas espirituais do outro, querer ouvir a voz de Deus também através da oração do esposo ou da esposa.

Mais uma vez, convido os casais a lerem juntos este capítulo. Far-lhes-á muito bem.

Pe. João Paulo Pimentel

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