Do Pároco

Não é habitualmente com este título que invocamos Nossa Senhora ou a Ela nos referimos. Porém, é assim que o Anjo, em sonhos, a refere ao Santo Patriarca: «José, filho de David, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20).

Nossa Senhora era esposa de José porque já tinham acontecido os esponsais ou desposórios, uma das duas etapas do casamento judaico. Mesmo sem viverem ainda em comum, com os desposórios passavam a ser esposos, com direitos e deveres inerentes à sua condição. Depois, com as núpcias, que se realizariam no prazo de um ano, o pacto matrimonial era levado à sua perfeição e a noiva era levada para casa do noivo, num clima de grande festa.

Deus quis que a Anunciação a Maria tivesse lugar entre os desposórios e as núpcias. Portanto, Deus quis contar com S. José como esposo de Maria. O facto de S. José viver o casamento respeitando livremente a virgindade da sua Esposa, não anula a sua condição de esposo.

Neste sentido, as famílias cristãs não devem deixar de olhar para a família de Nazaré para nela descobrirem as bases da espiritualidade conjugal, espiritualidade proposta por São João Paulo II nas suas catequeses da Teologia do Corpo e desenvolvida pelo Papa Francisco, no capítulo 9 da Exortação Amoris laetitia.

Sugiro que, neste ano dedicado à família, se leia e medite nesse capítulo, considerando como os elementos da espiritualidade conjugal possam ter sido vividos no seio da Sagrada Família: uma espiritualidade do amor familiar «feita de milhares de gestos reais e concretos», concentrados em Cristo e participando do mistério da sua Cruz (a fuga precipitada para o Egito, por exemplo!); a oração em família; a consciência de se pertencerem um ao outro, com a plena consciência «de que o outro não é seu mas tem um proprietário muito mais importante, o seu único Senhor»; a constante solicitude pelo outro sendo, de modo cristalino, «reflexos do amor divino», prestando constantemente «toda a atenção» ao que o cônjuge e o Filho requeriam, e gerando um clima de amável hospitalidade para os que visitavam aquele lar Santíssimo.

Foi assim que Jesus quis passar entre nós a maior parte dos anos da sua vida terrena e foi esse o desígnio divino para a sua Mãe, a Rainha do Céu, e para São José. Em nada ferimos a santidade da Santíssima Virgem ao invocá-la como Esposa santíssima do santo Patriarca José. Pelo contrário: com esse título teremos mais presente como Deus quis santificar a sua Mãe. E cultivaremos com entusiasmo a espiritualidade conjugal inspirando-nos na Sagrada Família.

Pe. João Paulo Pimentel

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