Do Pároco

Ao amanhecer, depois de uma infrutífera noite de pesca, Alguém, ao longe na praia, grita aos Apóstolos: «lançai a rede para o lado direito do barco e encontrareis!» Não sabem quem lhes fala, mas obedecem e recolhem uma pesca sobreabundante. S. João, talvez recordando a primeira pesca milagrosa, não hesita em identificar o Homem da praia: «É o Senhor!» Certamente, não terá vislumbrado com clareza a sua face, mas soube reconhecer Jesus através do milagre realizado.

Também a nós nem sempre nos é fácil reconhecer Jesus. S. Francisco Marto, referindo-se à Eucaristia falava de «Jesus escondido». A Igreja, tanto pelo Magistério como pela Liturgia, repete continuamente aos seus fiéis as mesmas palavras que S. João gritou no lago de Tiberíades, não suceda que não O consigam reconhecer.

Relembro as sintéticas palavras de S. Paulo VI no Credo do Povo de Deus (n.º 25):

«Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho, conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico».

Junto a cada Sacrário, como advertência dessa sua Presença, brilha uma pequena lamparina ou vela. Também ela nos assinala: «É o Senhor!»

Na Festa do Corpo de Deus desejemos acompanhar Jesus pelas ruas da nossa cidade. Com a nossa presença orante, vamos também recordando a muita gente: «É o Senhor!»

Pe. João Paulo Pimentel

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