Do Pároco

A mensagem do Senhor Patriarca, datada em 29 de junho, para apresentar o programa pastoral do próximo ano, começa assim: «No ano pastoral 2019-2020 continuaremos a receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa, aplicando especialmente o seu número 53: “sair com Cristo ao encontro de todas as periferias…”».

A todos nos são familiares as intervenções do nosso Papa Francisco sobre a atenção que é necessário dar a todo tipo de periferias. Recordo duas das várias citações da exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. Uma delas diz assim: «todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n.º 20).

Um pouco mais adiante, esclarece que esse dinamismo evangelizador não significa andar de um lado para outro, mais ou menos à toa: «Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho» (n.º 46).

Meditando nestes dois belos textos, sugiro que comecemos este ano com dois âmbitos bem concretos. Quando se fala de periferias, entende-se âmbitos onde sabemos que existem pessoas mas que nós não chegamos habitualmente lá. Comecemos por uma simples questão: a quem é que coloquei na periferia do meu coração? Um familiar? Um amigo? Posso tentar que seja menos periférico? Talvez o consigamos com uma simples iniciativa: uma oração por ele, e a seguir um telefonema ou um whatsapp, para manifestar que será sempre bem-vindo.

Um segundo âmbito é o das pessoas que se cruzam connosco sem o termos previsto ou pelo menos sem que tenhamos programada a maneira como se cruzaram. Pode ser um filho que «se afasta», um amigo que ultimamente aparece sempre abatido… Que lhe sucede? É a primeira pergunta que impede «enviá-lo» para as nossas periferias, prevendo que nos vá «dar trabalho» se nos aproximarmos em demasia. Depois, rezamos por ele, e assim, confiamo-lo aos Senhor e metemo-lo, ao mesmo tempo, no âmago do nosso coração.

Comecemos por evitar ter periferias no coração com o auxílio do Senhor, pedindo-lhe que não nos desinteressemos de ninguém.

Pe. João Paulo Pimentel

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