do pároco

De forma bem sintética, o Catecismo da Igreja Católica recorda que «todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja se une ao mistério de Cristo no deserto» (n.º 540). A referência às tentações de Jesus é-nos proposta no Evangelho do primeiro domingo da Quaresma.

Faz-nos bem olhar para Jesus que nos convida a segui-Lo, durante este tempo, numa atitude de maior austeridade, de mais silêncio para melhor escutar a voz de Deus e captar de modo mais nítido as necessidades dos irmãos, e dispostos a um enfrentamento mais decidido com o mal.

Seria temerário pensar que esse caminho não nos é pedido. Jesus convida-nos a segui-Lo no «deserto». A opção por dar mais relevo à liturgia quaresmal é um modo prático de aceitar esse convite. O Cardeal Ratzinger sugeriu encarar o tempo da Quaresma como um tempo de retiro, em que a liturgia vai marcando o que Deus quer que ouçamos para nos transformar com a Sua Palavra.

As práticas penitenciais são necessárias por muitas razões e reforçam a consciência de que aceitamos ir ter com Jesus ao deserto, o reino da austeridade e da liberdade dos condicionalismos materiais. Ao mesmo tempo, penso que nos será de muito proveito dar mais relevo à Eucaristia diária e, quando possível, à Liturgia das horas.
Se assim o fizermos, comprovaremos, como já nos sucedeu tantas vezes, que o Senhor nos vai dando luzes que facilitam vencer o mal à nossa volta, com um arrependimento mais genuíno, com confissões mais frequentes que nos libertam das pérfidas insinuações do tentador.

Não esqueçamos as clarividentes palavras do Papa Francisco:

«A Palavra de Deus convida-nos, explicitamente, a resistir “contra as maquinações do diabo” (Ef 6, 11) e a “apagar todas as setas incendiadas do maligno” (Ef 6, 16). Não se trata de palavras poéticas, porque o nosso caminho para a santidade é também uma luta constante. Quem não quiser reconhecê-lo, ver-se-á exposto ao fracasso ou à mediocridade. Para a luta, temos as armas poderosas que o Senhor nos dá: a fé que se expressa na oração, a meditação da Palavra de Deus, a celebração da Missa, a adoração eucarística, a Reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária, o compromisso missionário» (Exort. Gaudete et exultate, n.º 162).

As armas poderosas que o Senhor nos dá… Recordemo-lo ao iniciarmos este tempo quaresmal.

Pe. João Paulo Pimentel

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