Do Pároco

Na Encíclica «Deus é amor» de Bento XVI e que o Sr. Patriarca nos convidou a reler na mensagem aos diocesanos, encontramos estas palavras sintéticas:

«Com o passar dos anos e a progressiva difusão da Igreja, a prática da caridade confirmou-se como um dos seus âmbitos essenciais, juntamente com a administração dos Sacramentos e o anúncio da Palavra: praticar o amor para com as viúvas e os órfãos, os presos, os doentes e necessitados de qualquer género pertence tanto à sua essência como o serviço dos Sacramentos e o anúncio do Evangelho. A Igreja não pode descurar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra» (n.º 22).

Não o deve fazer a Igreja, nem a diocese, nem a paróquia, nem o cristão. A caridade pertence à essência da identidade cristã e todos somos convidados a esmerar-nos mais neste serviço que é multifacetado. Há sempre tanta gente a quem podemos ajudar!

Este mês, convido a pensar nos nossos irmãos que estão literalmente à mercê da caridade, visto que em muitos casos a lei não os protege (estão para lá das periferias da lei), com o auxílio de umas palavras, porventura pouco divulgadas, do Papa Francisco. Na Exortação A Alegria do Evangelho, escreveu:

«Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. (…) Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana, mas, se a olhamos também a partir da fé, toda a violação da dignidade pessoal do ser humano clama por vingança junto de Deus e torna-se ofensa ao Criador do homem» (n.º 213).

Proteger a vida dos nascituros é e será sempre parte do serviço essencial da Igreja. E uma das pedras-de-toque do coração autenticamente cristão.

Pe. João Paulo Pimentel

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